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Compreender o ESTIGMA.

Compreender o ESTIGMA.

Vários estudos demonstram que as pessoas, em geral, apresentam grande desconhecimento sobre as doenças mentais e uma reação negativa diante pessoas com doença mental, considerando-os relativamente “perigosos”, “sujos”, “imprevisíveis” e “sem valor”.

Essa perceção inicial traduz-se em “estereótipos”, imagens, ideias concebidas sem conhecimentos suficientes ou inadequados, provocando emoções e sentimentos de “medo, desconfiança e aversão” pelos portadores de doenças mentais.

A emoção medo é a mais primitiva das emoções e tem uma importante função na sobrevivência e proteção da espécie. Todos os animais – dos insetos aos humanos – nascem com a capacidade de detetar e responder a certos tipos de perigos. Há as respostas inatas e as que se adquirem por transmissão social.

A forma como pensamos interfere na forma como sentimos e nos comportamos!

Os seres humanos não lidam bem com o “desconhecido” por representar uma ameaça “perigo”, ficam desconfortáveis e tendem a evitar a dor, levando-os a usar de preconceitos, que se traduzem em juízos de valor com sentido pejorativo como por exemplo “mau”, “feio”, e opiniões (favoráveis ou desfavoráveis) formadas antecipadamente, sem fundamento sério ou análise crítica.

Este estado de mal-estar, ansiedade e desconforto, levam a pessoa a adotar comportamentos discriminatórios, que se traduzem por exemplo em comportamentos de rejeição, distinção, ou “identificação”…como os rótulos, e ao distanciamento social da pessoa estigmatizada.

Quando nos referimos a alguém que tem uma perturbação mental como “doente”, “louco”, “esquizofrénico” (estereótipos), estamos não só a demonstrar desconhecimento…, como estamos a demonstrar os nossos valores e crenças negativas (preconceitos), para além duma atitude pouco construtiva e civilizada (discriminação e exclusão social). Estes termos são usados como rótulos sem sentido e trazem mais sofrimento para estas pessoas! Estes comportamentos alimentam o estigma.

Como saberão, os profissionais de saúde mental apoiam-se por vezes num manual estatístico de doenças mentais (DSM V) que classifica e categoriza as várias psicopatologias, dá nome às entidades patológicas, mas não é usado para classificar ou categorizar pessoas!!

O processo de desinstitucionalização das pessoas com uma doenças mentais – fecho de hospitais psiquiátricos, abertura de serviços comunitários e centros terapêuticos, tratamentos em ambulatório – veio estreitar a distância entre a saúde mental e a doença mental na medida em que a população geral fica mais exposta a contactos com pessoas com um problema de saúde mental.

Aliado a esta mudança de paradigma está um incremento de informações sobre a real situação da condição de saúde da pessoa com um problema de saúde mental, que felizmente tem contribuído para o decréscimo do estigma a esta associada.

A ideia de que os doentes mentais são violentos é muitas vezes difundida pela média (e até no discurso político “esquizofrénico”) e não encontra respaldo na realidade na medida em que, na maioria das vezes, os portadores são mais vítimas de violência que perpetradores desta.

Assim, o estigma relacionado com pessoas com um problema de saúde mental, além de associar-se a uma visão estereotipada de imprevisibilidade e violência, associa-se também à negação de direitos humanos dos portadores de uma doença, que frequentemente contribui para sua exclusão social e os coloca numa posição de desvantagem quando procuram emprego, habitação, estudos… e mesmo no acesso a tratamento.

O estigma produz efeitos nefastos no próprio em autoestigma e baixa autoestima, contribuindo para uma pior qualidade de vida. Usualmente, o estigma e a discriminação em relação às pessoas com pessoas com um problema de saúde mental estendem-se à família, amigos e mesmo a profissionais e serviços de saúde mental, observando-se também uma discriminação orçamentária da saúde mental nas políticas de saúde pública.

Todos temos uma opção…de fazer diferente!

Ariel Milton

https://www.facebook.com/arielmilton.pt/

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