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Militares portugueses podem vir a enfrentar um temível inimigo…

Militares portugueses podem vir a enfrentar um temível inimigo…

Militares portugueses podem vir a enfrentar um temível inimigo…a Perturbação de Stress Pós-traumático.

Não é motivo para alarme! Mas devemos aprender com o nosso passado recente e importa realçar a importância da prevenção do Stress Pós-traumático, pois nesta matéria “Uma grama de prevenção equivale a um quilo de cura”.

À semelhança dos nossos veteranos da guerra do ultramar, os militares portugueses pertencentes à Força de Reação Imediata ao serviço das Nações Unidas na Republica Centro-Africana (MINUSCA) desenvolvem atividades de alto risco no teatro de operações, onde a probabilidade de serem expostos a um evento traumático é alta, como recentemente se verificou com o envolvimento destes militares em confrontos em Bangui, capital da República Centro Africana, resultando num elemento ferido.

Depois de passarem por um evento traumático, os sobreviventes costumam dizer que o seu primeiro sentimento é o alívio por estarem vivos. Isto pode ser seguido de stress, tristeza, medo e cólera. Podem ter problemas para dormir, concentrar-se ou lembrar-se de tarefas simples. Os sobreviventes de trauma também podem pensar que são incapazes de parar de pensar sobre o que aconteceu. Muitos sobreviventes mostrarão um alto nível de excitação, o que os faz reagir fortemente aos sons e a cenários em seu redor.

A maioria das pessoas tem algum tipo de reação de stress após um trauma. Ter tal reação não tem nada a ver com fraqueza pessoal, é natural e adaptativo. As reações de stress podem durar vários dias ou mesmo algumas semanas. Para a maioria das pessoas, se os sintomas ocorrem, vão diminuir lentamente ao longo do tempo. Contudo, numa minoria de pessoas (por exemplo, 10% nos veteranos de guerra do ultramar) esses sintomas não regridem e pode instalar-se um quadro clínico pós-traumático. Não há medicação para curar a Perturbação de Stress Pós-traumático.

Para aquelas pessoas que possam estar a lutar por entender as suas reações pós trauma, ou como algo tão terrível poderia acontecer consigo, ou porque está a sentir uma avalanche de emoções e sentimentos, ou a pensar como as suas crenças anteriores sobre si, sobre o mundo e os outros foram colocadas em causa…, saibam que pode não haver respostas totalmente satisfatórias para essas perguntas. Estes eventos são na sua maioria imprevisíveis e incontroláveis, deixando grande parte das vezes os intervenientes com um sentimento de culpabilidade infundado, fruto de crenças irrealistas e erros cognitivos comuns que dificultam a recuperação.

Sabemos, no entanto, que com a adoção de algumas estratégias, intervenção psicológica adequada, com o tempo, o apoio cuidadoso da família e dos amigos pode ajudar a diminuir o impacto emocional e, finalmente tornar as mudanças trazidas pelo evento traumático mais fáceis de gerir. Pode sentir que o mundo é hoje um lugar mais perigoso do que ontem. Levará algum tempo para recuperar o seu senso de equilíbrio.

Enquanto isso, pode estar a perguntar como continuar a viver a sua vida diária. Pode sempre começar por fortalecer a sua resiliência – a capacidade de se adaptar bem diante da adversidade – nos próximos dias e semanas. Aqui estão algumas dicas:

– Fale sobre isso. Peça apoio de pessoas que se importam consigo e que irão ouvir suas preocupações. Receber apoio e cuidados pode ser reconfortante e tranquilizador. Muitas vezes ajuda falar com outras pessoas que compartilharam a sua experiência para que não se sinta tão diferente ou sozinho.

– Esforce-se pelo equilíbrio. Quando ocorre uma tragédia, é fácil ficar sobrecarregado e ter uma visão negativa ou pessimista. Equilibre esse ponto de vista lembrando-se de pessoas e eventos que sejam significativos e reconfortantes, até encorajadores. Esforçar-se pelo equilíbrio dá-lhe poderes e permite uma perspetiva mais saudável de si e do mundo à sua volta.

– Desligue e faça uma pausa. Pode querer manter-se informado, mas tente limitar a quantidade de notícias que recebe, seja na Internet, televisão, jornais ou revistas. Enquanto receber notícias informa-o, sim, mas a superexposição a notícias pode aumentar pensamentos negativos e o seu stress. As imagens podem ser muito poderosas para despertar o seu sentimento de angústia. Além disso, programe alguns intervalos para se distrair de pensar no incidente e concentrar-se em algo que goste. Tente fazer algo que eleve o seu estado de espírito.

– Honre os seus sentimentos. Lembre-se que é comum ter uma gama de emoções após um incidente traumático. Pode experimentar um stress intenso semelhante aos efeitos de uma lesão física. Por exemplo, pode sentir-se exausto, dolorido ou desequilibrado.

– Cuide-se. Envolva-se em comportamentos saudáveis para melhorar a sua capacidade de lidar com o stress excessivo. Coma refeições equilibradas, descanse bastante e desenvolva atividade física durante o dia. Evite álcool e drogas porque podem suprimir os seus sentimentos ao invés de ajudá-lo a gerir e diminuir o seu sofrimento. Além disso, o álcool e as drogas podem intensificar a sua dor emocional ou física. Estabeleça ou restabeleça rotinas, como fazer refeições em horários regulares e seguir um programa de exercícios. Se está a ter problemas para dormir, tente algumas técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação ou ioga.

– Ajude os outros ou faça algo produtivo. Procure recursos disponíveis no aquartelamento, ou comunidade, sobre formas de ajudar pessoas que foram afetadas por esse incidente ou outras necessidades. Ajudar alguém com frequência também tem o benefício de fazer sentir-se melhor.

– Se perdeu amigos ou familiares recentemente nesta ou noutras tragédias. Lembre-se que o luto é um processo longo. Dê a si mesmo tempo para experimentar os seus sentimentos e recuperar. Para alguns, isso pode envolver ficar em casa, para outros pode significar voltar à sua rotina diária. Lidar com o choque e o trauma de um evento intenso levará tempo. É típico esperar muitos altos e baixos, incluindo “culpa do sobrevivente” – sentindo-se mal por ter escapado da tragédia, enquanto outros não, ou “culpa de realização” – devia ter feito isto ou aquilo…, etc.

Para muitas pessoas, usar as dicas e estratégias mencionadas acima pode ser suficiente para superar a crise atual. Às vezes, no entanto, um indivíduo pode ficar “bloqueado” ou ter dificuldade em gerir as reações intensas. Um profissional de saúde mental como um psicólogo ou psiquiatra pode ajudá-lo a desenvolver uma estratégia apropriada para avançar. É importante obter ajuda profissional se sentir que não pode funcionar ou realizar atividades básicas da vida diária. Estão disponíveis bons tratamentos.

Boa sorte e bom regresso a todos os nossos militares em missão pelo mundo!

Ariel Milton

Psicólogo Especialista em Clínica e Saúde

https://www.facebook.com/arielmilton.pt/

 

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