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O que pode significar ter uma doença de cariz psicológico ou psiquiátrico?

Estas problemáticas são cada vez mais numerosas, com uma identificação dos casos cada vez mais precocemente, que faz com que essas mesmas patologias não tenham uma valência tão incapacitante na vida da pessoa e sistemas sociais que os rodeiam, tanto porque nos diferentes contextos que fazem parte da vida de todos nós, as pessoas estão mais atentas a sintomas que através das campanhas de sensibilização, do aumento da identificação de casos, isto não depreende que existem muito mais casos que antigamente, parece mais razoável afirmar que estando todos mais atentos, e tendo um conhecimento mais alargado, que a referenciação destas situações ocorram com mais frequência.

Onde podem surgir algumas complicações que atrasam o encaminhamento para quem de direito? Primeiro podemos verificar a generalização de conceitos de doença que são raros e exige um olhar clinico que se adquire através da especialização, e da manutenção constante sobre novas descobertas e caminhos alternativos para cada doença. Assim sendo, podemos muitas vezes verificar que em muitos casos, existe efetivamente a procura de ajuda dita especializada, que na maioria dos casos, no caso de ser uma criança, através do Pediatra, e em adulto através do medico de família. Quais são os riscos se não houver por parte dos médicos, um encaminhamento para a especialidade, assumindo a partir de que ponto, essas doenças ultrapassam a competência do mesmo, e que consequências podem ter estas situações?

Podemos afirmar que os médicos de clinica geral tem capacidade de avaliar e iniciar um tratamento nos primeiros 3 meses do desenvolvimento dos primeiros sintomas, sendo que se não houver uma diminuição do sofrimento que estas doenças trazem, ou até mesmo agravamento, existe a necessidade de reformular ou o diagnóstico ou a medicação, até porque a adequação da medicação, faz parte da confirmação diagnostico. Ou seja, se qualquer medicação está estudada para algumas patologias do foro psiquiátrico, e essa mesma medicação não tem os resultados esperados, podemos ter de alterar dentro da mesma família de medicação, e por último se mantivermos o quadro clinico, então é importante reformular o diagnóstico. Nesta fase torna-se essencial através dos clínicos, ou em ultimo caso através das pessoas que fazem parte da vida do doente, ou o próprio de procurar ajuda especializada. A nível da psicoterapia ainda pode ter outros efeitos que criem maiores dificuldades ao paciente. Passo a explicar. Sendo a psicoterapia um conceito de uma maior aceitação recente, sobre a importância e eficácia da mesma, a experiencias negativas neste contexto clinico, retira ao próprio doente a validade e importância de passar por este processo, até porque em Portugal vivia-se uma procura através da farmacologia a resolução dos problemas. Em alguns casos, o próprio processo pode não ser ajustado, tanto por o paciente não saber a finalidade e os benefícios da mesma, sendo essencial estabelecer desde logo objetivos terapêuticos. Se puder fazer uma escala ascendente sobre os diferentes níveis de intervenção podemos afirmar o seguinte:

1º Nível – Consulta de clinica geral – Identificação de critérios de patologia psicológica/psiquiátrica. Tendo como temporalidade definida.

2º Nível – Consulta de psicologia – Avaliação da problemática demonstrada, com o objetivo se a mesma se enquadra nas competências do terapeuta.

3º Nível – Havendo a necessidade de uma avaliação mais completa, a introdução de uma avaliação psiquiátrica, que não envolve obrigatoriamente a introdução desde logo de psicofarmacologia.

4º Nível – A combinação entre psiquiatria e psicoterapia, e se o caso assim o necessitar, a introdução de psicofarmacologia, havendo uma relação de proximidade entre os técnicos, para o tratamento ir no mesmo sentido.

5º Nível – A introdução da família ou redes sociais significativas para o paciente, para ter uma ideia mais completa das dificuldades apresentadas, e de que forma podem modelar o seu comportamento, para contribuir para o tratamento do mesmo.

Podíamos extrapolar para outras situações, pois a intervenção não pode ser rígida, havendo sempre espaço ou para um momento mais psico-pedagógico, momentos de urgências, momentos definidos como temática a abordar, etc.

Mas o que me parece mais relevante, e que considero importante na escolha deste tema é, que quanto mais informação as pessoas tiverem, melhores serão as decisões, podendo mesmo antecipar algumas destes níveis, e não ficarem tão dependentes de opiniões que por vezes são muito inacessíveis, como a marcação de consultas no centro de saúde da sua residência. O modelo que uma intervenção complementar entre a psicoterapia e a psiquiatria é o que apresenta mais taxas de sucesso, sendo que a medicação não tem como objetivo limitar a pessoa, adormece-la, torna-la menos capaz, ou resolver o problema por completo, até porque se as causas desses sintomas tem a ver com a construção de identidade da pessoa, e isso vai-se manifestar de forma recorrente, a medicação tem como função diminuir o sofrimento, para se tornar a vida mais tolerável, devolver algum grau de funcionalidade ao paciente, de forma que também na sala de psicoterapia haja a capacidade de trabalhar temáticas que estão na génese dos problemas atuais. Ou seja para criar a rede que ampara os trapezistas.

Assim sendo vos peço: ponham em causa os estereótipos sobre a utilidade destas duas especialidades, que possam ganhar consciência que a vida não tem de ser um sofrimento constante, e que podemos criar um caminho alternativo. Procure ajuda, perceba se aquele técnico que está sentado à sua frente lhe diz algo, que você consegue ligar-se a ele, e que dai pode advir um olhar diferente para a vida.

Quanto mais informado você estiver, menos é a probabilidade de se deixar arrastar uma situação que numa fase inicial pode ser facilmente tratada, mas que com o tempo, torna-se cada vez mais difícil.

Agarre esta oportunidade de ter uma vida melhor.

Sobre pmbgarrido

A Psicologia sempre foi para mim a única possibilidade de carreira. Acordo todos os dias sabendo que faço aquilo que sempre quis. Grande parte do meu trajecto profissional foi dirigido para os mais necessitados a nível social, e poder participar num projecto como a Oficina de Psicologia, é dar continuidade ao meu trabalho, permitindo a todos, independentemente do seu estrato sócio-economico, um serviço de excelência. A psicoterapia é uma das coisas em que mais acredito para uma vida melhor. A psicoterapia é uma forma de nos melhorarmos enquanto pessoas. É um processo que nos permite, ao terapeuta e paciente, crescer em conjunto e enfrentar as adversidades da vida com brio e coragem. A psicoterapia é um espaço onde tudo pode ser sentido e falado, um espaço onde a confiança se cria e constrói levando a uma melhoria na qualidade de vida. Um espaço onde todos são tratados com dignidade e compreensão. Como todos somos diferentes nas pequenas particularidades que nos definem existe uma necessidade de ter conhecimentos abrangentes para adequarmos a nossa intervenção à realidade de cada um. Tendo como orientação teórica de base a Terapia Cognitiva, com o passar do tempo, tanto de estudo, como de experiência profissional, tenho descoberto que é necessária uma diversidade de intervenções para melhor servir quem nos solicita à procura de um mundo melhor.
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