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“Depressão” é uma palavra que por vezes tendemos a usar com alguma ligeireza no dia-a-dia, muito associada à tristeza, por isso importa esclarecer as diferenças.

Todos nós já tivemos momentos de tristeza, mais ou menos profunda, geralmente em reação a algum acontecimento externo, visível, como é o caso da morte de alguém que nos é próximo, o término de uma relação amorosa, o chumbo a uma disciplina ou a perda de um emprego.

A verdade é que a tristeza é uma emoção primária, que exerce uma função adaptativa. Quando estamos tristes, geralmente retiramo-nos um pouco, afastamo-nos, refletimos e depois eventualmente voltamos à ação e conseguimos abordar melhor a situação que nos provocou tristeza. Uma das principais diferenças entre a tristeza e a depressão é que nesta última essa retirada é mais prolongada (pode durar semanas, meses, anos), sentimo-nos em baixo, abatidos, muitas vezes sem identificarmos já a(s) causa(s) do nosso mal-estar. O humor é geralmente depressivo e/ou irritado, com um interesse e prazer diminuídos em todas ou quase todas as atividades que antes nos interessavam. Poderá haver uma mudança no apetite/peso (mais vontade ou menos vontade de comer; aumento ou diminuição do peso), assim como nos padrões de sono (insónia – dificuldades em adormecer ou em manter-se a dormir; hipersónia – excesso de horas a dormir), muitas vezes acompanhada por falta de vontade em nos levantarmos da cama. No que diz respeito aos movimentos, são mais lentos, mais arrastados, acompanhados de fadiga excessiva, mesmo quando não estivemos muito ativos. Os sentimentos predominantes são de inutilidade/culpa excessiva, possivelmente pelo foco do pensamento nos “erros” do passado, associado a ideias de arrependimento e vergonha, com dificuldades de concentração ou indecisão, e em alguns casos, pensamentos sobre a morte, ideação suicida ou tentativa efetiva de suicídio, sendo a morte vista como o único escape possível a uma vida de sofrimento.

A depressão é uma das perturbações mentais mais frequentes em Portugal, e é especialmente “matreira” porque nos faz pensar que somos um fardo para os outros, que somos inúteis. Não temos motivação para fazer nada e isso torna-se causa e consequência da sensação de inutilidade que nos assombra a cada dia. Naturalmente, as relações com amigos, familiares e colegas acabam por ficar afetadas, e sem darmos conta, acabamos por boicotar as nossas próprias tentativas de fazer algo, como forma de provar que realmente “nada vale a pena”. É muito fácil e tentador cair nas armadilhas que a depressão nos coloca. Tendemos a ver-nos como inúteis, a ver o mundo como ameaçador ou cruel para nós e o futuro como inevitavelmente negativo, pela falta de esperança que temos que “as coisas vão mudar”. A verdade é que podem mudar com a ajuda especializada.

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